Confirmando um rumor divulgado em
janeiro, o Google declarou que formará sua própria operadora de telefonia
celular. A informação foi dada pelo vice-presidente e chefe do Android, Sundar
Pichai, durante a Mobile World Congress (MWC), em Barcelona. Em evento do
Google na feira, Pichai foi entrevistado no palco pelo jornalista Brad Stone
(autor de A Loja de Tudo, sobre a história de Jeff Bezos e da Amazon).
Quando perguntado sobre os planos
do Google de lançar sua própria MVNO (operadora móvel com rede virtual, que
comercializa o serviço, mas aluga a infraestrutura de outra operadora), o
executivo respondeu que a empreitada está a caminho. Pichai falou pouco sobre o
projeto mas deu a entender que ele deve seguir a filosofia do Nexus, a linha de
smartphones do Google que não se preocupa em ser líder de mercado, mas apontar
tendências futuras e tentar influenciar o mercado como um todo. “É pequeno
comparado ao resto da indústria, mas é de ponta”.
E prosseguiu: “Estamos no estágio
onde precisamos pensar em hardware, software e conectividade juntos. Em
especial, com coisas como relógios.” De acordo com Pichai, a operadora MVNO
será um negócio de escala reduzida em comparação com o resto do setor e que
“trabalhará com parceiros existentes”. Sobre perspectiva de data de lançamento,
Pichai disse apenas que “algumas das ideias se realizarão nos próximos meses”.
Perguntado se as operadoras norte-americanas Verizon e AT&T “não teriam um
problema com isso?”, Pichai afirmou que o Google conversou com as empresas e
que vai “trabalhar com parceiros”.
“As operadoras de telefonia nos
EUA movem a maior parte dos nossos telefones Android e esse é o modelo que
realmente funciona para nós”. Sobre as possíveis inovações que a operadora do
Google poderia apresentar, o executivo deu apenas um exemplo: a reconexão
automática de ligações que caem. O serviço de telefonia do Google estaria
disponível apenas nos Estados Unidos, de acordo com rumores previamente
publicados sobre os planos da empresa. Em janeiro, o site The Information
publicou que a gigante de buscas entrou em contato com outras operadoras de
celular americanas para viabilizar a expansão do sua rede de fibra ótica,
presente em algumas cidades dos Estados Unidos.
A empresa estaria negociando a
compra de redes de voz e dados das operadoras norte-americanas T-Mobile e
Sprint. Operadoras virtuais não possuem infraestrutura de rede própria e alugam
estruturas de outras empresas para oferecer seus pacotes. Segundo fontes
próximas à empresas citadas pelo site à época, o Google pretende vender seus
planos de voz e dados por meio de uma loja online, provavelmente a Play Store,
que hoje vende aplicativos, filmes e músicas para os usuários do sistema
operacional Android.
Pagamentos
Em seguida, Pichai falou sobre o
Android Pay, plataforma para pagamentos feitos com celulares do sistema
operacional da empresa. Segundo ele, a tecnologia chega sob a forma de uma API
(interface de programação de aplicativos) aberta a qualquer desenvolvedor.
“Pagamentos móveis crescerão muito neste ano. Faz sentido, porque seu telefone
está sempre com você”, pontuou. A nova plataforma será compatível com o Google
Wallet, carteira virtual lançada pela empresa no mercado norte-americano em
2011 e que serve para armazenar dados de cartões de crédito e débito.
O Android Pay se utilizará de
tecnologia NFC para que pagamentos possam ser feitos apenas aproximando o
smartphone de um terminal de pagamento. Questionado se o novo sistema de
pagamentos entraria em conflito com o anunciado no fim de semana pela Samsung
(que usa sistema Android em seus smartphones), Pichai disse que “eles não
competem necessariamente”.

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